Dra. Erica Maia Alvarez

TDAH em adultos: sintomas, diagnóstico e tratamento

Você já se perguntou por que algumas crianças parecem não conseguir ficar quietas, perdem objetos o tempo todo ou simplesmente não conseguem terminar o que começam por mais que se esforcem? Em muitos casos isso pode estar relacionado ao TDAH, o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade.

O TDAH é um dos transtornos mais comuns da infância e da adolescência, mas ainda é cercado de mitos e mal-entendidos. Neste texto, vou explicar de forma clara o que ele é, como se manifesta e quais são as opções de tratamento disponíveis hoje.

O que é o TDAH?

O TDAH é uma condição do neurodesenvolvimento, ou seja, tem origem no processo de desenvolvimento do cérebro, e é caracterizada por dificuldade em controle sobre a atenção, por hiperatividade e por impulsividade. Esses comportamentos precisam ser frequentes, persistentes e causar prejuízo real na vida da pessoa para que se fale em transtorno.

Uma coisa importante: ter energia de sobra ou se distrair às vezes não é TDAH. O que diferencia o transtorno é a intensidade, a frequência e o impacto que esses comportamentos causam no dia a dia: em casa, na escola, no trabalho e nos relacionamentos.

O TDAH afeta entre 5% e 7% das crianças e adolescentes no mundo inteiro. Meninos recebem o diagnóstico com mais frequência do que meninas em contextos clínicos, mas isso não quer dizer que meninas não tenham o transtorno; muitas vezes, os sintomas delas são menos evidentes e acabam passando despercebidos por mais tempo.

Como o TDAH se manifesta?

Os sintomas se organizam em dois grandes grupos: desatenção e hiperatividade/impulsividade.

No grupo da desatenção, é comum ver crianças que cometem erros por descuido, têm dificuldade em manter o foco em tarefas mais longas, perdem materiais com frequência, esquecem compromissos e parecem não ouvir quando alguém fala diretamente com elas.

Já no grupo da hiperatividade e impulsividade, os sinais incluem agitação motora constante, dificuldade em ficar sentado quando esperado, falar demais, responder antes de a pergunta terminar e interromper os outros com frequência.

Costuma-se descrever três apresentações clínicas principais: predominantemente desatenta, predominantemente hiperativa/impulsiva e a forma combinada, que reúne sintomas dos dois grupos.

Uma observação valiosa para pais e professores: crianças com TDAH podem, sim, manter o foco quando fazem algo que gostam muito, como jogar videogame ou assistir a um desenho. Isso não invalida o diagnóstico. A motivação e o interesse influenciam enormemente a manifestação dos sintomas.

Como é feito o diagnóstico?

Não existe exame de sangue, ressonância magnética ou teste psicológico que, por si só, diagnostique o TDAH. O diagnóstico é clínico, feito a partir da anamnese (entrevista) e exame psíquico do paciente, procedimentos realizados na consulta médica.

Essa avaliação considera informações de diferentes fontes, como pais e a própria criança, e leva em conta quando os sintomas começaram, há quanto tempo persistem (pelo menos seis meses), em quantos ambientes aparecem e se estão causando prejuízo real. Os sintomas também precisam ter começado antes dos 12 anos de idade.

Escalas de avaliação (questionários) são ferramentas úteis para ajudar a quantificar a intensidade dos sintomas e acompanhar a resposta ao tratamento, mas são instrumentos de apoio, não de diagnóstico definitivo.

O TDAH tem tratamento?

Sim.

O manejo do TDAH deve ser individualizado, levando em conta a idade, a gravidade dos sintomas, as comorbidades e as preferências da família e do paciente. Em muitos casos, combina-se o uso de medicação com intervenções não farmacológicas, mas essa decisão deve ser feita caso a caso.

A psicoeducação, ou seja, entender o transtorno, é a base de tudo. Quando a família e o paciente compreendem o que é o TDAH, como ele funciona e o que esperar do tratamento, os resultados tendem a ser melhores.

Entre as intervenções não farmacológicas, o treinamento comportamental para pais é uma das estratégias mais eficazes, especialmente para crianças mais novas. Intervenções na escola, treinamento de habilidades sociais e estratégias cognitivas e organizacionais também fazem parte das opções terapêuticas, sendo algumas particularmente úteis para adolescentes.

Quando a medicação é indicada, os estimulantes, como metilfenidato e lisdexanfetamina, estão entre os tratamentos mais estudados e eficazes. Eles ajudam a melhorar a atenção, reduzir a impulsividade e podem impactar positivamente aspectos mais amplos, como desempenho escolar e funcionamento global. Para quem não responde bem aos estimulantes ou apresenta efeitos colaterais, existem alternativas como a atomoxetina e outros medicamentos.

Uma última palavra

O TDAH não é falta de educação, preguiça ou má vontade. É uma condição real, com base neurobiológica, que afeta a vida de milhões de pessoas e que tem tratamento eficaz.

Se você reconhece esses sinais em seu filho, em um aluno ou em você mesmo, o primeiro passo é buscar uma avaliação com um profissional de saúde qualificado. Quanto antes o diagnóstico for feito e o suporte iniciado, melhores tendem a ser as perspectivas ao longo da vida.

Se você suspeita que possa ter TDAH, faça o teste de rastreio e leve ao seu médico para avaliação conjunta 🙂

Dra. Erica Maia Alvarez | Médica Psiquiatra | CRM SP 164868 | RQE 64704. Para agendamento com a Dra. Erica Maia Alvarez, clique aqui.

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