Dra. Erica Maia Alvarez

Eu sou porque nós somos

E quando falamos de saúde — especialmente saúde mental — essa filosofia se torna ainda mais urgente. O modelo médico tradicional trata o sofrimento como algo estritamente individual: seu problema, sua responsabilidade, sua "falha". Mas Ubuntu nos ensina algo diferente: ninguém adoece sozinho, e ninguém se cura sozinho. O sofrimento é relacional. Nascemos de contextos, somos moldados por relações, adoecemos em sistemas. E a cura verdadeira acontece quando há encontro, quando há presença, quando alguém genuinamente diz: "Eu te vejo. Você não está sozinho."

📕(ebook) A medicina do futuro será sistêmica

📕(ebook) A medicina do futuro será sistêmica Enquanto a gente discute a crise do SUS e os custos crescentes da saúde suplementar, quase que não falamos o suficiente sobre algo essencial: até que ponto as decisões diárias de um médico impactam todo o sistema de saúde? (E não estou falando de “saúde baseada em valor” e nem de saúde coletiva). Cada atestado, cada prescrição, cada encaminhamento não afeta apenas o paciente diante do médico. Essas escolhas reverberam em famílias, empresas, operadoras, serviços públicos e privados — moldando a forma como a saúde funciona no país. É por isso que a atuação médica precisa ser pensada de forma sistêmica: uma prática que reconhece que o cuidado individual está conectado a...

O SUS aos 37 anos

O SUS aos 37 anos Setembro traz a lembrança da Lei nº 8.080/1990, que regulamentou o Sistema Único de Saúde. Em 2025, porém, o SUS celebra 37 anos de existência, já que sua origem remonta à Constituição de 1988, quando a saúde foi reconhecida como direito de todos e dever do Estado. Este ano também marca, para mim, 18 anos de convivência com o SUS em uma nova perspectiva — não mais apenas como paciente. Foram seis anos de formação médica, seguidos por três anos de residência em psiquiatria e mais nove anos trabalhando dentro de hospitais e equipamentos do SUS. Cada dia foi uma lição sobre a profundidade do sofrimento mental, sobre a profundidade do cuidado necessário e...

Teoria do Manejo do Terror

A Teoria do Manejo do Terror (Terror Management Theory, TMT) é uma das teorias mais influentes e debatidas na psicologia social contemporânea. Proposta por Jeff Greenberg, Tom Pyszczynski e Sheldon Solomon na década de 1980, a TMT oferece uma perspectiva particular sobre como os seres humanos podem lidar com a ansiedade existencial relacionada à consciência da morte inevitável. A teoria propõe que aspectos do comportamento humano, das crenças culturais às interações sociais, podem ser parcialmente compreendidos através da lente de como tentamos gerenciar o "terror" associado à mortalidade, embora esta seja uma hipótese que coexiste com outras explicações teóricas na literatura psicológica.

A máquina perfeita e o esgotamento no trabalho

Entenda como chegar ao diagnóstico correto de burnout e como o esgotamento impacta as empresas. Diferente da Máquina de Carnot, que pode operar indefinidamente sem perda de eficiência, os seres humanos têm limites físicos e emocionais. Ignorar essas necessidades pode levar a um desgaste significativo, afetando não apenas o desempenho individual, mas também a saúde coletiva dentro de uma organização. Para evitar o desgaste e promover um ambiente de trabalho saudável, é essencial que as empresas implementem práticas que valorizem o bem-estar dos colaboradores, oferecendo suporte emocional e ações de bem bem-estar. Políticas de trabalho flexíveis, oportunidades de desenvolvimento profissional e um ambiente de apoio podem contribuir significativamente para a manutenção de um alto nível de produtividade sem comprometer a saúde...